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Manchete : EPIDEMIA DE CRACK ATINGE MILHARES DE SERGIPANOS
enviou em 05/06/2017 10:40:00 ( 401 leituras )
Manchete

Quem é pai ou mãe tem preocupações constantes, não importa a idade de seus filhos. Porém, nos últimos anos não existe assombração maior para familiares do que o fantasma do crack. No Brasil, o vício em crack tornou-se um caso de saúde pública que está beirando níveis epidêmicos e é um enorme desafio para as autoridades brasileiras, e em Sergipe não é diferente.

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo aponta que 5,6% da população é dependente de álcool e outras drogas. Trazendo para a realidade de Sergipe, existem mais de cem mil dependentes químicos no Estado, que não têm uma faixa etária específica, segundo o terapeuta em dependência química Jorge Augusto Gomides.

Ele diz ainda que, apesar de ser uma capital pequena, comparada a grandes cidades, Aracaju tem sim uma cracolândia, na proporção da cidade. “Existem pontos de uso explícito e deliberado de crack. Não somente o uso, como também a venda. Inclusive, dois pontos. Um deles é no Centro da cidade. No Bairro Coroa do Meio também temos pontos de venda e uso explícito de crack, e podemos sim chamar de cracolândia. Nesses locais tem todo tipo de gente. Desde garotos de oito anos, idosos de 70, mulheres, pobres, ricos. É um problema bem grave que afeta muita gente no Estado”, relata.

Existe solução?
Apontar uma solução é muito complicado para um assunto tão complexo. Mas, de acordo com Jorge Augusto, existem alguns caminhos que podem ser percorridos, que já são seguidos em outros Estados. “Um envolvimento maior da sociedade, um trabalho integrado de todos os setores e um acolhimento específico para essas pessoas, além do fácil acesso ao tratamento imediato. A partir do momento em que elas solicitam ajuda, têm que ter acesso imediato e aqui infelizmente em Sergipe isso é difícil, ainda está bem atrasado. Acho que uma integração entre sociedade, setor público e iniciativa privada talvez fosse o caminho mais eficiente para ajudar essas pessoas”, sugere.

“Um ponto que eu sempre tenho tentado levantar é a formação dos conselhos. Existem conselhos de álcool e drogas para que esses assuntos sejam discutidos. Nos municípios do interior também. Infelizmente, Sergipe tem conselhos constituídos através de leis estaduais, mas eles não têm ação. Estão há muitos anos parados. Por isso, esse assunto passa a ser uma bandeira política. Entra gestor e faz de um jeito, entra outro gestor, faz de outro. E a gente precisa ter uma política bem estabelecida tanto municipal quanto estadual e discutida com a sociedade, com as famílias desses usuários acima de tudo”, complementa.

O terapeuta revela que não tem conhecimento de quantas pessoas estão livres do crack hoje no Estado. “Muitas delas deixam, mas depois voltam a usar. Mas é possível que largue de vez. Eu coordeno uma clínica de reabilitação e vejo muitos casos de pessoas que estão há dois, três anos sem usar absolutamente nada. Pessoas que vêm de uma realidade difícil, mas conseguiram parar. Porém, para isso tem que mudar toda a vida social, comportamento. A dependência química é a consequência de alguma causa, e o tratamento ajuda essas pessoas a descobrirem o que vem levando essas pessoas a usarem droga e se transformarem em dependentes”, afirma Gomides.

Tratamento urgente
O atendimento médico para esses casos é essencial e urgente. Existem alguns critérios e o acompanhamento médico se faz necessário e é de suma importância para primeiro diagnosticar o grau de comprometimento e depois um possível encaminhamento para um serviço adequado.
Na visão de Gomides, o tratamento dado pelo Estado é muito precário e existem pouquíssimas vagas de tratamento especializado. “Além disso, as poucas vagas não são de fácil acesso. A população vulnerável e as famílias acima de tudo não têm acesso, não sabem onde procurar ajuda. Esse assunto ainda precisa ser amplamente discutido e obviamente ter um comprometimento maior do Estado no atendimento e na atenção à essas pessoas de forma especializada. Existe uma política nacional de combate às drogas, que é dividida em alguns eixos, incluindo prevenção, tratamento, recuperação, redução de danos, parte social e pesquisa. O Estado não consegue fazer prevenção, não consegue fazer tratamento, quem dirá pesquisa. Pouquíssimas existem, eu não tenho conhecimento de nenhuma específica para o Estado”, pontua o terapeuta.

Atendimento pelo Estado
A coordenadora estadual da Rede de Atenção Psicossocial, Renata Roriz, explica que o atendimento de dependentes químicos é feito pelos 43 Centros de Atendimento Psicossociais (Caps) espalhados pelo Estado. “Os equipamentos do Caps de tratamento ficam nos municípios e por isso são geridos pela administração municipal. Em Aracaju, por exemplo, a rede da cidade é composta por Caps, unidades básicas de saúde e acolhimento, mas são equipamentos geridos pelo município, e o mesmo acontece no interior”, explica.

Ainda segundo a coordenadora, a porta de entrada para o atendimento é o Hospital São José. Lá é feita a avaliação e o encaminhamento do paciente para os Caps da capital ou interior do Estado, a depender da residência do paciente. “Caso o usuário esteja em um município que não tem Caps, ele terá que se dirigir a uma unidade de saúde e de lá encaminhado para uma equipe multidisciplinar que vai fazer o atendimento para um Caps”, afirma.

Na visão de Renata Roriz, dá para atender e cuidar das pessoas em liberdade, sem que elas precisem passar muito tempo internadas. “Fazemos a política do menor tempo do paciente internado. Mas temos estrutura de leitos de retaguarda para casos graves, como a Clínica São Marcelo, por exemplo, além de toda a rede de urgência e emergência”, conclui.


Por: JornaldaCidade.Net
Foto:Google

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