7º ENCONTRO DE FILARMÔNICAS EM ESTÂNCIA

Manchete : GRACCHO, PRESIDENTE: AO CORRER DA PENA DE OURO ESTANCIANA (III)
enviou em 10/08/2017 16:20:00 ( 68 leituras )
Manchete

*Por Acrísio Gonçalves de Oliveira
Graccho Cardoso e esposa chegaram um dia antes em Estância para a inauguração do novo prédio.Como representante da família Gumersindo, trouxeram Antônio Bessa, filho do falecido homenageado. A cidade entrou em alvoroço.No dia seguinte, na manhã do dia 9 de maio foi feita a inauguração do Grupo, havendo muitos oradores, inclusive o filho do imortal jurista apresentando um discurso emocionado. Estudantes estiveram presentes trazendo ramalhetes. A cerimônia foi encerrada por belas músicas tocadas pelas filarmônicas Lira Carlos Gomes e Recreio Estanciano.À noite, em teatro lotado, drama sacro apresentado por um grupo de moças, artistas amadoras da cidade. Vale destacar que o teatro na Princesa do Sul teve sempre lugar.


As homenagens ao Presidente seguiriam no decorrer daqueles dias de maio de 1923, com comes e bebes no dia 10 na casa do Intendente Helvécio Araujo. No fim de semana o comércio fechou às 15 horas para ver o “corso de automóveis” na Praça Barão do Rio Branco.Uma festa de caráter francês que as elites costumavam promover. Consistia em desfilar nos carros ornamentados (como no carnaval), levando foliões com batalhas entre si de confetes e lança-perfumes. Para assistir a curiosa festa, um grande número de pessoas deixou a praça lotada. Nessa época a Praça Rio Branco não passava de um grande terreno com gramíneas, entrecortadas por estradas sulcadas por pés humanos e de animais. Era nessa praça onde também se realizava a feira livre da cidade.

Graccho ficaria três semanas em Estância. Nos dois primeiros dias esteve hospedado na residência do “major” Alonso Esteves, depois se hospedou num palacete à Praça 24 de Outubro (Jardim Velho) na casa do luziense, ex-juiz João Batista da Costa Carvalho, já falecido. Sentia-se em casa.

Na manhã do domingo, dia 13, às 9 horas, pela felicidade do casal Graccho-Joelina, ao som da Lira Carlos Gomes, foi celebrada, pelo carmelita frei Pedro, uma missa na capela particular da casa de Chico Martins na Rua Capitão Salomão. Ao final do ato foi distribuído por D. Joelina diversas efígies contendo a frase: “lembrança da missa celebrada na capela particular do cel. Francisco José Martins, em ação de graça pela felicidade do casal Graccho-Joelina”. Na oportunidade o musicista estanciano Eupídio Vasconcelos apresentou o dobrado “Graccho Cardoso”, obra cuidadosamente produzida. Nessa homenagem também estiveram presentes muitos donos de usina da vizinha Vila de Santa Luzia, além de outros partidários locais.

Às 20 horas seguiu a comitiva ao Cinema São João para assistir ao “espetáculo de gala” promovido pelo município. Ali, mais um importante aspecto histórico dos anos 1920, não apenas dos estancianos ou dos luzienses, mas do povo sergipano, teria sido jogado em tela. Certamente, por falta de cuidado com a memória coletiva ele deve ter se perdido: foi projetado um filme “da posse de s. excia, vistas das usinas Castelo e Belém, aspectos vários desta cidade, Laranjeiras e Capela”(A Razão, 20.05.1923).

Graccho visitou as importantes fábricas Santa Cruz, Senhor do Bomfim e a fábrica de Charuto Walkyria. Nesta, depois de conhecer as instalações, recebeu como presente uma “fina caixa de charuto” a qual trazia a inscrição “Presidente Graccho Cardoso”. Após o champanhe, pose para foto.

Na quarta, dia 15, foi à inauguração do posto de higiene pública“Belizário Penna” ainda em casa improvisada, sendo prometido por Graccho transferi-lo em breve para um ambiente próprio.

Sábado, dia 19, na casa luxuosa do telegrafista Alonso Esteves um banquete promovido pelas “classes conservadoras” locais, os industriais. Na mesa, fina iguaria contida em cardápio “elegantemente impresso”. Discurso em favor do distinto estanciano e do próprio Presidente em defesa da cidade. Ao final, músicas das filarmônicas.

O presidente, em demorada visita à sua terra natal, ia percebendo as reais necessidades de Estância. Tinha genitores de raízes totalmente estancianas. Além do pai, um professor de nomeada fama, sua mãe, D. Mirena Cardoso era uma praiana nascida no Porto do Mato, bem próximo à Praia do Saco, a famosa Praia do Saco do Rio Real. Eles mesmos devem ter influenciado o filho a olhar Estância de forma mais cuidadosa, a resolver seus velhos problemas, pois Graccho Cardoso não conviveu na Cidade Jardim. Convém destacar que o seu governo havia sido, com a pena de ouro, recomendado a brilhar como o sol seguindo a tradição grega,que diz evocar o ouro, o amor, à dominação, à fecundidade. Era de se esperar que com o presente simbolicamente marcante, os estancianos deixassem nas mãos do governador conterrâneo a incumbência de tirar Estância do marasmo que há anos se arrastava e a definhava. Por outro lado, queriam os industriais aumentar seus capitais, principalmente com as novas vias de comunicação, já que muitas vezes a falta de regularidade dos navios no trapiche das Capivaras era sempre uma dor de cabeça.

Quanto ao Grupo Escolar Gumersindo Bessa ainda estaria em atividade no ano de 1970. Uma festa celebraria seus 47 anos de serviços prestados por brilhantes professoras e professores na formação intelectual de várias gerações de estudantes. Desativado nessa mesma década, virou DRE1 (Diretoria Regional de Educação), um lugar de cargos públicos, nomeados por parceiros políticos. Além de deixar de ser escola, atualmente em completo abandono, se encontra infestado de mato. Por isso – ao centro do topo do belo edifício – a sua águia, que tanto sobrevoou a região do conhecimento, no fechar da sua escola, sem perspectiva de voo, definitivamente se petrificou. Ao riscar do mapa uma escola, contrariou uma frase do romancista e poeta francês Victor Hugo (1802-1885) que diz: “quem abre uma escola, fecha uma prisão”. (continua)


Acrísio Gonçalves de Oliveira
Pesquisador, radialista, Professor do Estado e da Rede Pública de Estância

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