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Cultura : Tecnologias digitais colocam em xeque a cultura do livro impresso
enviou em 23/08/2017 10:40:00 ( 346 leituras )
Cultura

Editores e leitores discutem a perenidade da obra em papel diante das plataformas digitais

Na entrada do Museu da Mercedes-Benz, em Stuttgart, cidade alemã considerada o berço do automóvel, há uma seção em homenagem aos cavalos. Sim, cavalos! Uma placa ao lado explica: por séculos, esses animais foram o principal meio de transporte dos seres humanos, e quando os primeiros veículos a motor surgiram, houve uma comoção pública por perdas simbólicas e afetivas que a substituição resultaria. Ao menos, era o que se imaginava à época.


Os anos passaram e hoje tal discussão se perdeu no tempo e no crescente amor das pessoas pelos automóveis. Como prescreveu Marshall McLuhan, no clássico livro "Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem", os efeitos da tecnologia não ocorrem aos níveis das opiniões e dos conceitos: eles se manifestam nas relações entre os sentidos e nas estruturas da percepção, num passo firme e sem qualquer resistência”.

O alerta do renomado teórico da comunicação cabe, hoje, para uma polêmica que se arrasta há um tempo: os livros impressos serão substituídos por versões digitais? Se por um lado ainda não há uma resposta a essa pergunta, por outro é certo que as mudanças provocadas pela internet já estão a caminho.
Aliás, estão vindo a galope, com o perdão do trocadilho. Assim como as redes sociais transformaram as relações humanas, a literatura passa por uma revolução com novas formas de escrever e ler livros que se assemelham a plataformas mais conhecidas pelo público, como Netflix, Spotify, Tinder e Youtube. “Muito longe de ameaçar o futuro dos livros impressos, as novas tecnologias ampliam as possibilidades de leitura, diversificando as formas de produção e de circulação não só da literatura, mas do texto contemporâneo de forma geral”, resume a editora de Língua Portuguesa, Fabiana Marsaro, cuja pesquisa de doutorado em Linguística Aplicada na Unicamp versa sobre esse assunto. Segundo ela, vivemos em um período de convergência, que aponta não para um processo de evolução e de superação de mídias, mas de coexistência entre elas.

Talvez seja o momento de ouvirmos pensadores da atualidade, como Muniz Sodré, e passarmos a olhar as novas tecnologias mais pelas novas lógicas que ensejam do que pelas novas técnicas que introduzem na sociedade.

“A questão é que além do formato, da tecnologia e de tudo mais que essa discussão envolve, precisamos lutar por mais leitores”, defende Camila Cabete, responsável pelo relacionamento com os editores no Brasil da Kobo, empresa que oferece solução completa para leitura de ebooks. Ela recorda que o Brasil é um país com baixo índice de leitura e um dos motivos é a dificuldade de distribuição dos livros físicos. “Agora, todos possuem uma livraria 24 horas em seus smartphones e se os brasileiros começarem a ler mais, o que importa se isso acontecer por livros físicos ou virtuais?”.

Além de vantagens mais estruturantes, como a democratização da leitura pela facilidade de acesso e pela redução de custos de impressão e logística, há uma lista de outras possibilidades abertas pelos livros digitais. Uma delas é ensinar as pessoas a não julgar umas às outras pela capa. Ao menos, é isso que a plataforma de indicação de livros inspirada no aplicativo de relacionamentos Tinder, a Book4you, se propõe a fazer.

Quem frequenta livrarias talvez já tenha percebido algo bem comum: uma pessoa entra, pega o best-seller em destaque, paga e vai embora, ignorando outras obras de qualidade que talvez lhe proporcionassem mais prazer. Essa reação é guiada pela estratégia do marketing, centrada na nossa cultura, ligada ao visual.

“Esperamos que as pessoas enxerguem novas formas de fazer escolhas. É uma proposta que ultrapassa os livros”, revela Cássio Bartolomei, um dos idealizadores da Book4you, ao reforçar que a 'Tinder dos livros' não é um e-commerce. Segundo ele, a plataforma usa inteligência artificial para aproximar os leitores de obras literárias alinhadas com seus interesses. “Quem acessa cria um perfil e recebe uma lista de indicações com sinopses. Começa a curtir aquelas que mais lhe agradam, refinando as sugestões”. É uma forma das pessoas escolherem a próxima leitura, sem julgar o livro pela capa.

Personagem

Danielle Sales

Coordenadora editorial da rede Maple Bear

Leitora desde pequena, é hoje uma verdadeira leitora multiplataforma. Sua primeira experiência com livros digitais foi em 2010, com um Kindle, pelo qual começou a ler tanto livros técnicos quanto para lazer. Logo se apegou à possibilidade de poder ter uma variedade de livros, sem carregar muito peso. Durante um curso de pós-graduação, percebeu também as vantagens de acessar títulos em inglês e buscar referências bibliográficas. Testou a leitura em tablets e iPads, mas esse a distraíam por permitir navegação na internet. Também experimentou ler no celular, mas a tela pequena a incomodava. Hoje, ela continua comprando muito mais livros impressos (80% das leituras) do que e-books, reservando o uso do Kindle Fire para textos técnicos. Ainda consome audiolivros pela plataforma Amazon, o Audible, o que representa cerca de 5% de suas leituras. Por fim, gosta de acessar aplicativos de livros infantis, sobretudo os da empresa Nosy Crow.

Mercado de audiolivro registra expansão

Imagine esta cena: você está em seu carro, no trânsito, querendo chegar logo em casa, para relaxar e assistir a um filme legal. O fluxo é lento e as músicas do rádio ou mesmo aquelas que você selecionou em algum aplicativo já não lhe bastam. O que fazer para aproveitar melhor esse tempo perdido na rua? A resposta pode ser “leia um bom livro”!

Arriscado? Não em formato de audiolivro, um fenômeno que vem crescendo no mundo inteiro e que ganha adeptos rapidamente no Brasil, seguindo o mesmo modelo de assinatura do Netflix e do Spotify.

Nos Estados Unidos, o mercado de audiolivros já se consolidou com números que empolgam. Só no ano passado, foram vendidas cerca de 90 milhões de obras neste formato, com um resultado perto dos R$ 7 bilhões.

No Brasil, embora não existam números claros para o setor, empresas que oferecem soluções nacionais como a Ubook e a Tocalivros vêm crescendo ano a ano.

“Quem entra em um ônibus, em um metrô hoje percebe que todo mundo está ouvindo alguma coisa. O audiolivro é o formato que mais cresce no mundo, porque é mais prático ouvir do que abrir um livro, seja impresso ou digital”, assinala Luiz Fernando Pedroso, que há anos atua no mercado editorial e é cofundador do Ubook, plataforma que em apenas três anos de existência conquistou mais de 2 milhões de assinantes, oferecendo cerca de 10 mil títulos que abrangem desde livros e revistas até cursos e palestras.

Na análise de Pedroso, o ebook é um concorrente para o mercado do livro impresso, o que não acontece com o audiolivro. Este concorre com plataformas de áudios como rádios, palestras online e músicas. “Nossa solução funciona como o Spotify, mas nosso objetivo é levar algo diferente, histórias também contadas no impresso, narradas por uma equipe profissional”, detalha.

Os audiolivros, no entanto, não são a única inovação no que se refere ao consumo de obras literárias. Existem outras tendências ainda em desenvolvimento no mercado editorial, como livros adaptativos, histórias com realidade aumentada e narrativas estruturadas por geolocalização.

Na opinião da editora de Língua Portuguesa e pesquisadora da Unicamp na área da Linguística Aplicada, Fabiana Marsaro, a sociedade deve lidar de forma positiva com as mudanças que estão acontecendo e com as que ainda estão por vir. “As obras produzidas em comunidades de fãs, os materiais que exploram a realidade aumentada e as produções disponibilizadas em múltiplas plataformas são apenas alguns exemplos daquilo que é possível fazer quando se associa o impresso e o digital de forma significativa”, comenta a especialista.


Fonte: Pedro Cunha Especial para A Triubna

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