7º ENCONTRO DE FILARMÔNICAS EM ESTÂNCIA

Manchete : O JORNAL DA VILA DO MONSENHOR – VI
enviou em 05/01/2018 22:20:00 ( 71 leituras )
Manchete

Acrísio Gonçalves de Oliveira (*)
Outra incorreção seria com relação aos dias de sua publicação. Observando-se os números digitalizados desse mesmo jornal notamos que sua publicação era realizada às quartas e sábados e não às terças e sábados, como fora perpetuado historicamente. O Recopilador Sergipano trazia como lema uma frase de George Washington: “Sede justos se quereis ser livres: sede unidos se quereis ser fortes”.


A frase foi mantida pelo Noticiador Sergipense e pelo O correio Sergipense, de 1838, que também a fez constar durante quase 20 anos. Pode-se dizer que este último foi a terceira fase do Recopilador. Coincidência ou não, o jornal paulista, O Federalista, do mesmo ano da nossa folha, tinha como epígrafe os mesmos dizeres.

O jornal era subscrito em Maruim, na casa de José Pinto de Carvalho, português, primo do Monsenhor e que em 1833 chegou a ser Presidente de Sergipe. Já em Laranjeiras, estava na responsabilidade do colega Padre José Joaquim de Campos. No ano de 1834 passou também a se subscrever na casa de José Rodrigues dos Cotias, em São Cristóvão. Este era estanciano e sendo de família influente, chegou a ser secretário da Câmara Municipal de Estância, em 1833. Outro colaborador do jornal foi o Padre mestre Raymundo Campos da Silveira, também estanciano morrendo relativamente jovem, aos 45 anos e fora enterrado na Matriz. Tornou-se vereador estanciano. Era professor de latim, sendo um de seus alunos Joaquim Maurício Cardoso, baiano, pai de uma prole de professores. Maurício chegou a escrever no jornal. Chamou-nos a atenção o fato desse aluno - mais tarde famoso professor de diversas disciplinas - em 1860, recusar a nomeação do cargo de Promotor Público da Comarca de Estância para continuar como Professor Público!

Mais um importante colaborador do semanário fora Antônio José da Silva Travassos, do partido liberal. Em 1836 encabeçou uma luta em defesa de Santo Amaro, onde nasceu. Era filho de família da nobreza portuguesa, assim como o Monsenhor. Periódico político-partidário não deixou de ser perseguido pela oposição e por certos setores do clero que, dentre outras estratégias, tentavam derrubá-lo emplacando uma campanha “para retirarem suas assinaturas”, mas não conseguiram. Tudo leva a crer que um dos principais motivos da criação do primeiro jornal sergipano tenha sido o de fazer combate aos Restauradores ou Caramurus que lutavam pela volta de Dom Pedro I. Havia uma disputa arraigada entre os Liberais e Restauradores e os jornais serviam de instrumentos propagadores de cada ideologia. No escopo desse patriotismo, é possível que o Monsenhor tenha se aproveitado dos dez anos de Independência do Brasil (1822-1832) para comemorar a data com o lançamento do seu jornal.

Lamentavelmente, o primeiro número do Recopilador Sergipano perdeu-se no tempo. Por isso, em seu Catálogo, Armindo Guaraná, concluiu que ele teria surgido no dia 7 de setembro 1832. Já Acrísio Torres, em História da Imprensa em Sergipe-volume I, afirma que ele surgiu quatro dias antes, em 3 de setembro. Mas isso não procede. Primeiro porque esse foi um dia de sexta-feira, e o outro, uma segunda, ambos diferindo dos dias de circulação do jornal; segundo porque uma referência contida no jornal carioca Astréa, de 30 junho de 1832, mostra que ele já existia meses antes da data apresentada pelos dois historiadores. Além do mais, descobrimos outro periódico, a Aurora Fluminense, que dá a boa nova de seu surgimento, ao dizer: “Vimos um novo jornal.
É o Recopilador Sergipano na província desse nome”. Esse anúncio de importância capital para a história da imprensa sergipana foi dado no dia 15 de junho de 1832. Mas, atenção, essa data não configura o surgimento do nosso jornal. É que, pelas grandes distâncias e pelos diversos problemas enfrentados na rede portuária brasileira, as correspondências chegavam bem atrasadas.

Por conta disso, as trocas de informações entre os jornais das duas províncias (Sergipe e Rio de Janeiro) e até as mais urgentes, costumavam demorar bem mais de um mês.

Vale destacar, que o Recopilador, surgido na Vila de Estância, se configura como um dos primeiros jornais do Brasil. De acordo com os Anais da Biblioteca Nacional, de 1994, é o 16º da lista brasileira dos periódicos. Neste sentido notamos a grandeza de da vila de Estância quando a comparamos com a cidade de Curitiba que só iria ver seu primeiro jornal no ano de 1854, portanto, 22 anos depois. É evidente que essa posição apresentada pela referida biblioteca tenha sido de acordo com a data imprecisa de Armindo Guaraná. Se fizermos correção da data, certamente sua posição deverá subir no ranking.

Infelizmente não conhecemos os 113 primeiros números do Recopilador. Nenhum do ano de 1832. Na cidade onde nasceu o semanário, pelo que consta, nada ficou. Nem um exemplar, nem a casa tipográfica. O primeiro jornal sergipano se assemelha a um conto, a se principiar pelo seu número inaugural que a historiografia não preservou. Com o intuito de estabelecer uma data do surgimento do jornal e seguindo as pistas dos periódicos cariocas do seu tempo, resolvemos fazer uma regressão contando da edição 114, de 1º de junho de 1833, número inicial dos que se acham digitalizados na Biblioteca Epifânio Dória, chegamos a conclusão - considerando o fato da sua publicação ininterrupta, nas quartas e sábados - que o primeiro número do Recopilador Sergipano é do dia 2 de maio de 1832. Ao confrontarmos com a data da nota da Aurora, vemos que o atraso de um mês e treze dias se mostra bem na média, plausível com as de costume.

Assim, Estância completou 185 anos de fundação da sua imprensa, em maio de 1832, sem contar com o fato de que era muito raro, possuir as vilas do Brasil, um semanário. Agora faltaria descobrir em qual rua se dera esse marco do jornalismo brasileiro, se na Rua do Rosário, do Amparo, do Caminho do Rio, das Flores... Numa delas a instalação de sua tipografia, iria reclamar os problemas enfrentados pela recente vila, ora por Sergipe como um todo, ora do Brasil Império. (continua)

(*) Pesquisador, radialista, Professor do Estado e da Rede Pública de Estância

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