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Esportes : Análise: Palmeiras ganha corpo e já mostra acertos de Roger Machado
enviou em 05/02/2018 10:20:00 ( 174 leituras )
Esportes

Vitória no primeiro clássico do ano ajuda a solidificar um trabalho que não precisa render um supertime, e sim uma equipe organizada e competitiva

Lidar com o elenco mais vasto do Brasil oferece a Roger Machado uma série de dilemas. Passado um mês de trabalho, com cinco jogos já disputados (um clássico entre eles), é possível perceber que o treinador vem fazendo escolhas certas – e a vitória de 2 a 1 sobre o Santos neste domingo, na arena, foi mais um passo nesse processo. Alguns exemplos:


Felipe Melo no time. Pode parecer óbvio, mas vale lembrar que no ano passado não foi bem assim. O volante é titular absoluto e um dos destaques da equipe. Busca a bola entre os zagueiros, encaixa lançamentos e flutua ao campo de ataque quando a bola está por lá. Neste domingo, foi vencido por Renato pelo alto na jogada do gol do Santos, mas esteve entre os melhores em campo.
Jailson no gol. Poderia ser Fernando Prass, ídolo do clube; poderia ser Weverton, reforço titular do ouro olímpico. Mas Roger apostou em Jailson, e os resultados referendam a escolha. Foram três gols sofridos em cinco jogos em 2018 – e grandes defesas, como em cabeceio de Eduardo Sasha no primeiro tempo do clássico. O goleiro não perde há 26 jogos.
Borja mais móvel. Mesmo que ainda precise melhorar tecnicamente, o atacante é mais útil ao time este ano do que em 2017. Ao se deslocar e pender para os lados, abre espaço para a chegada de jogadores de infiltração – casos de Willian e Dudu. Dá fluência ao setor ofensivo – o melhor do Paulistão, com dez gols. Fez bonito gol da entrada da área neste domingo.
A dupla de zaga. Com a saída de Mina e a recuperação física de Edu Dracena, Roger precisou escolher novos zagueiros titulares. Eram várias opções, e ele elegeu Antônio Carlos e Thiago Martins, deixando no banco opções que poderiam parecer mais prováveis, como Luan e Juninho. Pois a nova dupla ajuda a formar a defesa menos vazada do Paulistão (junto com Corinthians e São Bento) e ainda colabora na frente, como mostrou Antônio Carlos com o gol deste domingo.
O Palmeiras tem 100% no ano. É o único time da Série A do Brasileirão com aproveitamento impecável na temporada. Mas não construiu a campanha com atuações espetaculares.

Porque o Palmeiras não é um supertime. E não precisa ser. Precisa ser uma equipe, um coletivo – simples assim: organizado e competitivo. Gradativamente, parece estar chegando lá.

Contra o Santos, teve atuação de regular para boa. Soube lidar com diferentes faces da partida: a pressão inicial, com um gol (Antônio Carlos, de cabeça) e uma bola na trave (de Lucas Lima); a reação do Santos, amortecida pelo sistema defensivo; a retomada do controle, com o segundo gol (de Borja); e o renascimento do adversário após o gol de Renato, novamente anestesiado pelo Palmeiras.

Depois do jogo, Roger Machado opinou: um elenco como o do Palmeiras não é um diferencial capaz de desequilibrar campeonatos. “Não passa de 10%”, argumentou. A temporada passada, em que o Palmeiras fracassou mesmo já tendo um elenco superior ao dos rivais, sustenta a tese do treinador.

Por isso, a missão de Roger é difícil – mas é a dificuldade dos sonhos de todo treinador brasileiro. Ninguém tem um arsenal de peças tão boas e tão versáteis quanto ele.

E a versatilidade, aliás, não é apenas tática. No Palmeiras, é possível observá-la até na bola parada. O jogo contra o Santos teve uma sequência curiosa de episódios. No comecinho do jogo, Lucas Lima bateu um escanteio pela direita, e a zaga cortou; segundos depois, pelo mesmo lado, houve uma troca. Foi Dudu quem bateu. E aí saiu o gol de Antônio Carlos. E, três minutos depois, novamente pela direita, Lucas Lima voltou a ser o responsável pela bola parada, desta vez uma falta lateral. Mandou direto na trave.

O Palmeiras tem repertório, e navegar em águas calmas no Paulistão ajuda Roger a trabalhar as qualidades do elenco. Com um time titular já em fase de repetição, ele cogita analisar outros atletas nas próximas rodadas. Está certo: serve como observação para ele, serve como motivação para quem não está jogando.

Até porque o mais importante ainda está por vir. Falta menos de um mês para começar a Libertadores para o Palmeiras.


Por Alexandre Alliatti, São Paulo

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