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Opinião : A maldição do PT e a morte política de quem deixa o partido
enviou em 08/03/2018 10:20:00 ( 216 leituras )
Opinião

Se existe ainda algo que permanece imutável no Partido dos Trabalhadores - PT - é a sua capacidade de mandar para o cemitério político todos aqueles filiados que um dia se elegeram a um cargo no legislativo pelo partido e resolveram, por quaisquer motivos, romper com ele e procurar novos rumos.Explico tomando o caso de Sergipe: todos aqueles políticos que conseguiram um dia se eleger pelo PT, saíram (ou foram expulsos) do partido, e se candidataram por outra legenda, jamais conseguiram novo mandato.

Alguém se recorda do petroleiro Gilvan e do bancário-sindicalista Abraão Crispim, ambos já falecidos, e do médico Antônio Samarone - todos eles ex-vereadores da cidade de Aracaju? E dos ex-deputados estaduais Ismael Silva e Marcelo Ribeiro? E ainda, do ex-deputado federal João Fontes, para ficar só nesses exemplos?

Pois bem, todos foram tragados pelo tsunami de um partido que, ao longo dos anos, caiu na vala comum da política partidária brasileira, onde grassa a corrupção, o fisiologismo, o nepotismo, o corporativismo e outros ismos.

A exceção até agora tem sido o histriônico radialista Gilmar Carvalho, que tenta não ser tragado pela maldição do PT - mesmo assim, a amargar sempre o banco de reserva na “gaiola de ouro” da Assembleia Legislativa de Sergipe, depois que foi expulso do PT. Mesmo pulando de galho em galho partidário, Gilmar jamais consegue ser eleito - fica sempre na suplência, à espera de que algum deputado se afaste da Alese para ocupar a cadeira.

Tal como no plano nacional, onde o Lula deita e rola sobre os destinos do partido, também em Sergipe o PT sempre se manteve sob o controle de Marcelo Déda - com sua retórica articulada e afiada, porém marcada por jargões esquerdistas passadistas e uma prática egocêntrica, narcisista e arrogante que impediram o surgimento e a formação de novos quadros políticos que viessem a oxigenar o partido.

Resultado disso é vermos, ainda hoje, no cenário político estadual, com a morte de Déda e Zé Eduardo, figuras despidas de empatia e que exalam um populismo barato - filhotes e crias do “dedismo” (seja lá o que isto significa!), como Márcio Macedo e Rogério Carvalho, ou burocratas partidários como Sílvio Santos e Conceição Vieira, para ficar só nesses nomes -, a disputarem com as tendências aninhadas no partido o seu controle e, assim, procurar influenciar os rumos do PT de Sergipe.

As várias tendências, dadas às suas fragilidades, continuam no “gueto”, com representatividade restrita a grupos de interesses e organizações sindicais mais combativas. Apesar de sentarem à mesa da cúpula partidária, sempre o fazem numa posição de subalternidade ante a corrente majoritária comandada anteriormente por Déda e, atualmente, nas mãos de seus pupilos e seguidores caninos - que podem ser chamados de “viúvas” de Déda.

O fato de o PT ter escolhido sair da história política brasileira pela porta dos fundos, e cair na vala comum dos demais partidos políticos brasileiros, é singular em pelo menos um ponto: assim como elege, ele também acaba politicamente com aqueles que o abandonam.

À diferença dos grandes partidos de direita (DEM, PMDB e PSDB) e dos nanicos de mesma coloração, no PT existe um vínculo umbilical entre o partido e o candidato. Os seus eleitores, embora votem num determinado candidato, jamais o veem como “dono” dos votos; ao contrário, a primazia é do partido sobre o candidato. Daí porque os que pensam que são capazes de fidelizar o voto de seus eventuais eleitores quebram a cara ao sair do PT para disputar eleições em outras siglas partidárias.

É claro que existem exceções, como o vereador por Aracaju Iran Barbosa e os deputados estaduais Ana Lúcia - que tem afirmado que não será candidata este ano - e o sindicalista Francisco Gualberto, cujas sucessivas eleições têm sido garantidas, em grande medida, por segmentos eleitorais bem demarcados: os professores - principalmente, os filiados ao Sintese - nos dois primeiros exemplos -, e do Sindipetro e Sindiminas, no último.

Entretanto, como ainda não disputaram eleições por outro partido que não o PT, é impossível prever o que pode vir a acontecer, se um dia o fizerem. Conseguirão manter o seu estoque de votos e, assim, serem eleitos, ou serão tragados pela maldição do PT, de acabar com a carreira política daqueles que o abandonam?


[*] Eliano Sérgio Azevedo Lopes
[*] É doutor em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pelo CPDA/UFRRJ e professor aposentado da Universidade Federal de Sergipe - UFS.

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