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Manchete : Sergipe quase que triplicou o número de feminicídios
enviou em 11/09/2019 09:20:00 ( 74 leituras )
Manchete

Segundo a 13ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Sergipe aumentou, consideravelmente, o número de feminicídios. Entenda-se como feminicídio o homicídio cometido contra mulheres e que é motivado por violência doméstica ou discriminação de gênero.

Em 2017, o estado registrou seis casos de feminicídio, enquanto em 2018, foram 16 mulheres assassinadas e com a qualificadora do feminicídio. Isso mesmo, trata-se de uma qualificadora e não de um tipo penal.

Voltando a uma análise dos dados e contrapondo os números desse tipo de crime, houve redução nos homicídios cometidos contra mulheres no Estado. Em 2017, 64 mulheres foram assassinadas, enquanto que, em 2018, esse número foi de 37. Deixando claro que esses casos não foram qualificados pela autoridade policial na condição de feminicídio.

Mas, o que aconteceu para que o número de feminicídios saltasse de forma tão estrondosa? É bem verdade que a lei que torna o feminicídio uma qualificadora do homicídio é de março de 2015 e, de lá para cá, as autoridades policiais passaram a ter um olhar mais contextualizado sobre a temática.

“Hoje, existe uma necessidade de se analisar o contexto do crime. Todo o aparato estatal está percebendo que a violência doméstica é um contexto, não é um fato em isolado. Quanto mais se catalogar os dados com eficiência, mais veremos um aumento no número de casos”, explica a advogada criminalista e coordenadora estadual da Associação Nacional da Advocacia Negra, Valdilene Martins.

A especialista reconhece a necessidade de mudança por parte da sociedade e que deve começar no seio familiar.

“O desprezo pelo feminino e a suposta supremacia masculina são ensinados desde cedo com a mamadeira. Enquanto isso não mudar, continuaremos errando. Quem já não ouviu falar o ditado ‘prenda as suas cabras que os meus bodes estão soltos’? A gente precisa parar de tratar os nossos filhos como animais. Temos dois pesos e duas medidas numa moral falsa e, enquanto a gente educar desse jeito, nós vamos ter sempre aumento de feminicídio”, finaliza a advogada.


Por Diego Rios
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