7º ENCONTRO DE FILARMÔNICAS EM ESTÂNCIA

Manchete : TRIBUTO AO SENADOR JÚLIO CÉSAR LEITE, PELA PASSAGEM DOS 24 ANOS DO SEU FALECIMENTO
enviou em 06/02/2014 16:40:00 ( 3956 leituras )
Manchete

Por Carlos Modesto
Todas as vezes que retorno à Estância mantenho dois rituais que jamais deixo de fazer logo que aqui chego. Primeiro, visitar o bairro da Santa Cruz e parar em frente do Centro Educativo Gonçalo Prado, para recordar as inesquecíveis matinês daqueles domingos cativantes das décadas de 40 e 50. Segundo, ver o rio Piauitinga, com suas águas passando sob a ponte Dom Pedro I.


Em referência ao Cinema “Gonçalo Prado”, é uma obrigação de todo estanciano que um dia sentou em uma das cadeiras dessa sala de entretenimento para assistir um filme ou uma peça de teatro, não esquecer jamais o nome do Dr. Júlio Leite.

É mister ir ao pretérito para entender e a admirar a vida desta magnífica personalidade. Só quem viveu no final dos anos 30, e toda a década de 40, épocas esplendorosas de uma humanidade mais inocente porém, cônscia de responsabilidades em todos os setores é que poderá compreender a emoção em poder tributar nestas simples e sinceras linhas, o traçado biográfico de um homem cujo nome permanece vivo na maioria dos estancianos, e nas muitas obras deixadas no bairro da Santa Cruz, que ainda hoje extasiam os turistas que nos visitam. Embora atualmente estejam inativas, ontem representaram muito e ativamente para a família operária da Companhia Industrial de Estância S/A, e a população estanciana que ali participaram de momentos encantadores de amor pela vida.

Júlio César Leite nasceu na cidade de Riachuelo/SE, no dia 6 de novembro de 1896. Filho de Francisco Rubens Leite e de Dona Maria Virgínia Acioli Leite. Seu irmão, Augusto César Leite, foi constituinte em 1934 por Sergipe e Senador pelo mesmo estado em 1935 e 1937.

Transferiu-se para o Rio de Janeiro, na época Distrito Federal, estudou no Colégio Alfredo Gomes e bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Livre de Direito nesta cidade, em 1917. Foi o primeiro colocado da turma constando na ata da Faculdade, publicada no Diário Oficial da União com especial Menção de Louvor.

Retornando à Sergipe, dedicou-se à advocacia, e executou também as funções de chefe de polícia e de secretário geral do Governo Estadual. Foi diretor do banco de Sergipe e do Banco Mercantil Sergipense.
Com a morte do Comendador João Joaquim de Souza Sobrinho, proprietário da maior fábrica de tecidos da região, ocorrida na cidade de Salvador/BA, em 18 de fevereiro de 1937, o seu filho João Sobrinho Júnior (Joca), na época, prefeito de Estância, herdou os bens deixados, entretanto não teve o talento administrativo do seu saudoso pai para levar os negócios para frente. Vendeu para o Coronel Gonçalo Prado a Fábrica Santa Cruz e as terras circunvizinhas que pertenciam ao patrimônio da empresa.
Para diretor da Companhia Industrial de Estância S/A, foi nomeado o Dr. Júlio Leite (genro de Gonçalo Prado) com a missão de dar continuidade aos trabalhos sociais e administrativos da Fábrica Santa Cruz.
Quando aqui chegou o Dr. Júlio, a cidade de Estância era pequena, onde toda população se conhecia com suas famílias tradicionais e seus habitantes ainda possuíam o biótipo da sua descendência índia-holadesa-portuiguesa cujas características eram identificáveis em qualquer parte do nosso país. Não obstante, a cidade possuísse um movimentado comércio que se estendia da Rua Capitão Salomão até o Pernambuquinho, foi a vocação industrial que ela firmou sua estrutura. Naquele tempo existiam três fábricas de tecidos que movimentavam seus teares para impulsionar o progresso da nossa terra. A fábrica das Indústrias Reunidas Piauitinga; a fábrica Senhor do Bomfim e a fábrica Santa Cruz. Tais companhias empregavam a maioria dos homens e mulheres da cidade, muitos forasteiros que aqui chegavam em busca de trabalho, daí constituíam família e aqui ficavam onde essa mistura de raça se transformou hoje em novo panorama de beleza e harmonia em seus habitantes.

UMA CIDADE DENTRO DA PRÓPRIA CIDADE

Foi o amor que o Dr. Júlio Leite tinha pela cidade de Estância e pelo operariado da sua fábrica quem deu ao bairro Santa Cruz o aspecto que atualmente conserva e que pouco tempo atrás podia ser considerado uma cidade dentro da própria cidade.

Nesse bairro, Dr. Júlio construiu a Rua Santa Cruz, em 19 de novembro de 1938 o Centro de Recreação Operária (Centro Educativo Gonçalo Prado), que ficou mais conhecido como o Cassino. Um centro de lazer completo, que também funcionava como cinema e teatro. Em dezembro de 1944 tais entretenimentos foram mudados para um local mais amplo e confortável, um modelar centro de diversões com capacidade para mais de 500 pessoas. O novo Centro Educativo Gonçalo Prado se tornou o deleito do povo estanciano que ali dentro se divertia, assistindo a filmes e peças teatrais encenadas pelos artistas locais e os que vinham de fora. Construiu ainda o Campo do Santa Cruz para o time do mesmo nome jogar; Biblioteca União Textil e Igreja Santa Cruz.

Fazendo parte desse cenário político, Dr. Júlio elegeu-se no pleito desse mesmo ano, Senador da República pelo seu Estado, na legenda da coligação formada pelo Partido Republicano (PR), ao qual pertencia, tendo se tornado presidente do mesmo e o Partido Social Democrático (PSD).

Exerceu o mandato de março de 1951 à janeiro de 1954. Na sessão proferida em 3 de agosto de 1951, no Senado, deixou impresso a monografia Situação Econômica do Estado de Sergipe, publicada pelo Departamento de Imprensa Nacional.

Reeleito Senador por Sergipe, pela mesma legenda, em outubro de 1962, assumiu o mandato em fevereiro de 1963, licenciando-se por diversas vezes e sendo substituído pelo suplente Dilton Costa.
Dr. Júlio Leite passou a residir definitivamente no Rio de Janeiro, não se esquecendo da cidade de Estância e nem tampouco das coisas do nosso estado, procurando saber de todos os acontecimentos.
Dr. Júlio Leite era casado com Dona Maria Carmem da Cruz Prado Leite e era pai de dez filhos: Jorge Prado Leite, Augusto Prado Leite, Aída Prado Leite, Júlio César do Prado Leite, Fernando Prado Leite, Luiza do Prado Leite, Maria Auxiliadora do Prado Leite, Carmem do Prado Leite, Rubens do Prado Leite e Marieta Prado Leite.

No dia 6 de fevereiro de 1990, vinte anos depois de deixar a vida pública, morria na cidade do Rio de Janeiro, o ex-Senador Júlio César Leite. Ao chegar entre nós a triste notícia, a cidade ficou consternada com a perda significativa desta personalidade magnânima que foi um dos baluartes prodigiosos na manutenção e progresso de Estância e um grande porta voz no Senado do povo sergipano.

Como parte de um país sem memória, Estância jamais deve se esquecer deste benfeitor como industriário, que de uma forma toda equânime soube utilizar seu talento administrativo em benefício da classe operária, dos teares da Fábrica Santa Cruz e da população em geral estanciana.


[Parte de uma crônica escrita pelo fotógrafo e cineasta estanciano, Carlos Modesto em 1999]


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