7º ENCONTRO DE FILARMÔNICAS EM ESTÂNCIA

Manchete : ALINA PAIM A - ESCRITORA ESTANCIANA
enviou em 09/05/2014 10:30:00 ( 1676 leituras )
Manchete

Por Carlos Modesto
Recentemente, nas comemorações do aniversário da minha cidade natal (Estância), quando na noite do dia 04-05-2014, durante a introdução da inauguração da Academia Estanciana de Letras, o professor Miguel Viana, numa eloquente e emocionada oratória, paralisou a plateia presente que se encontrava ao ar-livre, em frente à casa centenária, presente abrigo das artes culturais.

Durante a sua expressiva retórica, o orador lembrou uma nossa patrícia, aguçando meus sentidos e pondo-me interiormente eufórico ao ouvir o nome da escritora nascida na Estância, Alina Paim.

Em 1944, levada por Osvaldo Alves, autor de “Um Homem Dentro do Mundo” á uma editora cultural, apresentando aquela mocinha de cabelos soltos, cacheados, baixa estatura, 48 quilos de peso, rosto bonito de ingênua, fala suave, e uma timidez inconcebível, que queria ser escritora. Disse o escritor: “Aqui está uma escritora quedeseja ser lançada por LEITURA”.

Ao ouvir estas palavras à mocinha quase desapareceu na cadeira, talvez tenhaaté perdido a noção do lugar em que se encontrava, diminuído alguns pesos e até de altura

Conversando com grande custo e falando baixinho, informava das suas modestas pretensões, sobre um romance para editar, que se chamava “Estrada da Liberdade”. Com a continuidade, e mais à vontade, foi contando como e porque o escreveu.

Nascida em Estância, SE, em 10 de outubro de 1919, filha de Manuel Vieira Leite e da senhora Maria Portela de Andrade Leite, viveu seus primeiros cinco anos de infância em Salvador, capital da Bahia. Com a morte da mãe de tuberculose, seu pai trouxe-a para a cidade de Simão Dias, para ser criada por três tias solteironas,vivendo nela dos cinco aos dez anos de idade. Quando Alina tinha nove anos, sua tia Laurinda que sempre se preocupou com a sua educação, infelizmente falece. Mas, no leito de morte determina que a menina continue seus estudos em um convento de Salvador, Bahia. Foi, então, levada, pelo seu pai Manuel, para estudar na capital baiana, como interna do Convento da Soledade,onde permaneceu nele durante oito anos como aluna e quatro como professora. A convivência no estabelecimento religioso fez brotar sua tendência literária e assim idealizou a feitura da sua primeira obra.

Osvaldo Alves que já havia falado a respeito do livro com muita simpatia convenceu a Barboza Mello, editor da Leitura. Ele tomou os originais daquelas mãos bastante trêmulas para lê-los e no dia seguinte telefonou para Alina comunicando-lhe que iria publicar o seu romance. Ela emudeceu. A rápida surpresa parou-lhe os sentidos, não teve palavras para agradecer nem para perguntar quando o livro sairia. O editor compreendeu que a mocinha estava tão emocionada que seria inútil continuar a conversação.

Em 1945, com a “ESTRADA DA LIBERDADE” a Editora Leitura lançava a professorinha Alina Paim como escritora que viria a ter posição definitiva entre os bons romancistas do País.

Em menos de dois anos a edição estava esgotada, e a contribuição maior deveu-se as freiras do “Convento Nossa Senhora de Soledade”,comprando os livros não para ler, mas para queimar... Elas não gostaram do que Alina havia escrito, colaborando assim, para a imortalidade desseConvento de Salvador, Bahia.

Quatro anos depois surgia mais um novo romance da professorinha, “A SOMBRA DO PATRIARCA”, rememorando fatos da vida do campo. Foi publicado pela Editora Globo de Porto Alegre. Quando foi lançado em 1950, Alina já possui outro pronto: “SIMÃO DIAS”, desta vez, editado sob a tutela da Livraria Editora Casa doEstudante do Brasil que publicou na frente daquele, em 1949. Este era realmente o terceiro, apesar de ter saído um ano antes do segundo. Numa orelha da capa, tendo lido os originais de “Simão Dias”, o escritor Graciliano Ramos fez a apresentação do mesmo.

Alina não cessa de escrever. Bastante interessada pela situação e participação das mulheres na greve ferroviária de 1954, em Minas Gerais, escreve então, o seu quarto romance “A HORA PRÓXIMA”, editado no ano seguinte na “Coleção Romances do Povo” dirigida por Jorge Amado para a Editorial Vitória, com uma expressiva tiragem de 8.500 exemplares. Este, perante os críticos, é seguramente, o seu melhor trabalho literário. O romance foi traduzido para o russo em 1957, proporcionando (na época) a importância de cento e cinquenta mil cruzeiros de direitos. O romance foi prefaciado por Jorge Amado. Outro traslado foi efetuado em outra edição chinesa dois anos depois.

A notável escritora de tendência comunista colocava as personagens femininas sempre à frente do seu tempo. Continuou escrevendo seus romances, vindo o seu quinto sob o título de “SOL DO MEIO-DIA”, em 1961, recebendo o “Premio Manuel Antônio de Almeida”, instituído pela “Associação Brasileira do Livro”, além da importância de Cr$ 100.000,00 (na época), mais a publicação efetuada pela editora criada pela mesma ABL. Rio de Janeiro. O livro foi prefaciado pelo escritor Jorge Amado.

Outras obras de não menos valor literário preenchem as estantes das livrarias. Em 1965, é lançado “O CÍRCULO”, “O SINO E A ROSA” e “A CHAVE DO MUNDO”. Em 1979, foi à vez de “SIMÃO DIAS” e “A CORRENTEZA”. Em 1994, finalmente com “A SÉTIMA VEZ”. A escritora também se interessou por literatura infantil, lançou três volumes de histórias infantis.

Alina Paim contribuiu bastante para a literatura brasileira e tendo o seu reconhecimento, principalmente por parte dos sergipanos, pois a maioria dos leitores brasileiros desconhece a poeticidade da grande escritora sergipana.

Estância, a pioneira da imprensa sergipana, plêiade de intelectuais nos mais diversos ramos da arte e da literatura, agora, com a inauguração da Academia Estanciana de Letras, porque não começar o trabalho da entidade incentivando o poder público, colocando em alguma das nossas novas ruas o nome dessa magnífica escritora?...

P. S. A matéria acima foi apenas um aperitivo sobre a vida de Alina Leite Paim, grande escritora cujos romances vigorosos seriam de imenso valor para os estudantes estancianos.

TRIBUNA CULTURAL: 07/05/2014 – ESCRITO EM SALVADOR/BAHIA

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