7º ENCONTRO DE FILARMÔNICAS EM ESTÂNCIA

Manchete : PERFIS SERGIPANOS - CÂNDIDO ARAGONEZ DE FARIA
enviou em 07/06/2014 10:00:00 ( 3224 leituras )
Manchete

Por Carlos Modesto
Como veremos nesta matéria, a falta no século XIX de uma escola de artes no Estado sergipano em referência a historiografia educacional desses artistas que, para exercerem o dom da arte que borbulhavam seus interiores, partiram em êxodo do seu rincão natal para exercitarem em academias da Bahia e do Rio de Janeiro e mesmo em outros Estados e países, onde o que ficou mais lembrado foi Horácio Hora.

Os que ficaram entre nós não passaram de copistas das imagens e temas bíblicos que tão frequentemente eram vistos nas residências e nos templos católicos.

E entre esses que partiram, está o pintor eclético CÂNDIDO ARAGONEZ DE FARIA que para os sergipanos continua sendo um artista esquecido, contemporâneo e conterrâneo de Horácio Hora, foram em Paris bastantes conhecidos.

Nascido em 12 de agosto de 1849, na cidade de Laranjeiras/SE., seus pais foram o Dr. José Cândido de Faria e a espanhola Josefa Maria Aragonez. Com a morte do seu pai, que era médico do hospital da cidade, vítima de cólera morbis, numa epidemia ocorrida no Estado em 1855. Mudou-se logo com a mãe e os irmãos para o Rio de Janeiro, onde viviam parentes maternos.

Desde a mais tenra idade já possuía tendência para a arte da pintura. E na capital do Brasil ainda muito jovem ingressou no Liceu de Artes e Ofício e a Academia Imperial de Belas Artes. Aos 17 anos de idade em 1866, iniciou suas atividades fazendo caricaturas, colaborando em diversos jornais da cidade como chargista.

Associado ao seu irmão Adolfo, que no futuro viria a ser um conceituado fotógrafo na Cidade Luz (Paris), Faria criou o seu primeiro jornal denominado-o de "O Mosquito", dando início aos empreendimentos na área jornalística.

Em 1878 Cândido Faria entregou o jornal carioca ao seu irmão Adolfo e partiu para ir morar na cidade gaúcha de Porto Alegre, tornando-se bem conhecido devido a sua versatilidade, primeiramente como professor de desenho, pintura a óleo e de aquarela, por ministrar aulas em colégios e dar cursos em seu atelier que havia montado. Em seu currículo profissional essa fase da sua vida ficou obscurecida devido aos seus quadros que se perderam. Sabe-se entretanto, que ele fundou dois jornais: "O Diabrete" e "Fígaro".

Depois de sua permanência no Rio Grande do Sul, resolveu transferir-se para a Argentina em 1879. Em Buenos Aires começou novamente a trabalhar em jornais, semanários, dentre outros periódicos, onde aprimorou o amadurecimento da sua técnica durante os três anos vividos neste país.

Cândido Faria então, deixou Buenos Aires e foi para a Europa em 1882 com destino a França onde se radicou. Em Paris montou o Atelier Faria, com a idade de 33 anos - fase em que os talentosos gênios florescem a sua arte -, o artista colaborou com jornais e revistas, ilustrou livros, partituras e destacou-se na criação de cartazes publicitários para o cinema, teatro, concertos e circos.

Em Paris Faria aplicou todo o conhecimento que possuía sobre artes plásticas, para ele as modalidades ecléticas em que trabalhava não imprimia nele nenhum receio de se tornar menor entre os artistas parisienses. Pois tudo isso amadurecia a técnica do seu trabalho.

CÂNDIDO ARAGONEZ DE FARIA E O CINEMA

Com a invenção do CINEMATÓGRAFO em 1895 pelos Irmãos Lumière, a nova arte das imagens em movimento causou espanto, condicionando a humanidade em frequentar seus salões de projeções e assim Charles Pathè, poucos anos depois, passando da comercialização de fonógrafos para produção de filmes criou a Empresa Cinematográfica Pathè.

Sabedor da técnica elaborada do artista brasileiro, Pathè em 1902, contrata-o para ilustrar os cartazes dos filmes dos seus estúdios. Muitos desses panfletos ilustrados foram exportados juntos com os filmes pela Europa e o resto do mundo. Esses maravilhosos folhetos fílmicos o tornaram famoso junto com seu estúdio Faria, e assim o artista participou do início da história da sétima arte. Alguns desses trabalhos foram vistos por mim aqui no Brasil, sem o menor conhecimento que o seu autor era um sergipano.

Na França casou e teve um filho - Jacques- que lhe deu o neto Felipe Aragonez de Faria, seu incansável curador, que vivia numa luta de resgatar a vida e a obra do seu avô famoso. Ele já esteve em Sergipe.

Faria tinha em Paris seu atelier vizinho ao de seu conterrâneo Horácio Hora. Este último vinha sempre a Sergipe, enquanto o primeiro nada se sabe se porventura viera alguma vez voltado ao Brasil.

Cândido Aragonez de Faria faleceu em Paris em 17 de setembro de 1911 aos 62 anos de idade e o seu conhecido atelier Faria continuou em pleno funcionamento graças a pertinácia do seu filho Jacques Faria.

Embora, esses magistrais artistas sergipanos, tenham adquiridos sucessos em outras plagas distantes da área do seu nascimento, é importante redescobrir e garimpar suas vidas com mais profundidade, para se obter um amplo conhecimento e assim poder ser elaborada uma biografia mais completa de cada um deles, como merece Cândido de Aragonez de Faria, ou simplesmente FARIA, como assinava seus trabalhos.



FONTES DE PESQUISAS: Baseado nos trabalhos de D. V. S. Guimarães e Luiz Antônio Barreto


DE CARLOS MODESTO PARA A TRIBUNA CULTURAL/04/06/2014
email: modestocineasta@ig.com.br

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