CURSO EM ROMA AJUDA PADRES EXORCISTAS A IDENTIFICAR POSSESSÃO DEMONÍACA

Data 22/02/2018 09:50:00 | Tóopico: Sociedade

Nem tudo o que parece obra do demônio é motivo para a ação de um padre exorcista.Um curso de especialização organizado pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, em Roma, oferece formação específica para sacerdotes católicos que querem aprender melhor como afastar os demônios.Antes de mais nada, é preciso respeitar uma série de critérios para identificar se a intervenção de um exorcista é necessária.
Nem sempre se trata de uma "possessão diabólica", único caso em que se recorre a um rito de exorcismo. Além disso, o padre precisa de uma permissão específica do bispo local para poder agir."A pessoa que procura um exorcista é, sem dúvidas, alguém que sofre", diz o padre espanhol Pedro Barrajón, professor de Teologia no Instituto Sacerdos, que organiza o curso para padres exorcistas.

Ele já foi diretor desse departamento e reitor do Ateneu, que pertence à congregação dos Legionários de Cristo e tem o reconhecimento do Vaticano.Segundo o site do instituto, o Curso de Exorcismo e Oração de Libertação está em sua 13ª edição e será realizado em abril. Custa cerca de R$ 1.200 e, embora seja conferido em língua italiana, tem tradução simultânea para o inglês,espanhol e francês.

Doença ou demônio?

"Muitas pessoas têm distúrbios, doenças psicológicas, o que não é motivo para exorcismo.. É preciso descartar todas essas possibilidades e reconhecer os sinais da presença do demônio", diz o teólogo.Como exemplos, ele menciona que uma pessoa possuída pelo espírito maligno pode manifestar violência diante de objetos sacros, falar línguas a ela desconhecidas ou incitar uma perseguição espiritual contra o sacerdote exorcista.

A possessão significa que a pessoa não é mais dona do próprio corpo. O demônio não chega a dominar a alma da pessoa, mas o corpo pode estar possuído.

O padre Cristian Echeverry, da Arquidiocese de Manizales, na Colômbia, foi aluno do curso de exorcistas do Regina Apostolorum em 2013. Ali, ele aprendeu que antes da "possessão diabólica", o inimigo pode tentar intervir na vida das pessoas de outras formas mais amenas."A primeira é a tentação, e todos nós somos tentados ao pecado, ao mal. Inclusive Jesus, no deserto. Podemos resistir ou cair", diz o colombiano.

A segunda forma é a "infestação".Neste caso, o demônio pode usar animais ou fenômenos naturais para fazer mal à pessoa.A terceira é a "opressão", em que a pessoa se sente mal, por exemplo, enquanto dorme, um aperto no peito ou até mesmo tem sinais de violência no corpo.Na quarta forma, a "obsessão", o indivíduo pode ter ideias fixas e vícios.

Somente no caso de "possessão" pode ser realizado o rito de exorcismo, que está escrito nos livros da Igreja e deve ser seguido rigorosamente, sem invenções do sacerdote."Por isso, é sempre preciso discernir: estamos falando de uma doença ou do demônio?", diz o padre Echeverry.E prega: "Como dizia o padre Gabriele Amorth [famoso exorcista italiano morto em 2016], o melhor exorcismo é uma boa confissão.É, antes de tudo, se arrepender dos erros e mudar de vida.".

Até hoje, a Igreja Católica não sabe justificar exatamente o que leva uma pessoa a ser possuída pelo demônio.Alguns católicos chegam, inclusive, a negar a sua existência como uma personalidade."Há várias teorias sobre o que leva à possessão, mas na verdade é um grande mistério", diz o teólogo Barrajón."Algumas dessas pessoas se aproximaram de práticas de magia, esotéricas e podem ter uma culpa indireta", afirma.Justamente por se tratar de uma questão complexa e difícil de explicar, ele insiste que a formação dos exorcistas é extremamente necessária.


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Filipe Domingues Colaboração para o UOL, em Roma.



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