
O encontro, revelado pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim, não consta na agenda oficial de Lula. Na época, o dono do Banco Master já se articulava para sanar os problemas de liquidez do banco. O ex-ministro da Economia do petista Guido Mantega intermediou o encontro com o presidente, que também teve participação dos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).
Com a reunião já em curso, o presidente mandou chamar o futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Neste ano, Lula afirmou em entrevista que Vorcaro disse a ele que sofria uma “perseguição”.
Questionado, em entrevista ao portal UOL, sobre o encontro que teve com o banqueiro, Lula disse já ter recebido outros empresários. O presidente também confirmou que Vorcaro fora levado ao seu encontro por Mantega, que prestou consultoria ao banco.
— Primeiro, eu já recebi o Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual, e não tinha uma agenda comigo. E quando o Guido veio com o André Vorcaro (sic) a Brasília e pediu para eu atender, eu chamei o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central), o Rui Costa (ministro da Casa Civil), da Bahia, que conhecia ele. E ele então me contou da perseguição que estava sofrendo, que tinha gente interessado em derrubar ele, não sei das quantas — disse Lula.
— O que eu disse pra ele: não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica, feita pelo Banco Central. Foi essa a conversa. 'Você fique tranquilo, que a política não entrará na investigação do seu banco, o que entrará será a competência técnica do Banco Central pra saber se está errado, se você quebrou, se não quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem. E é isso que está sendo feito — acrescentou o presidente.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, esteve no Palácio do Planalto ao menos quatro vezes entre 2023 e 2024 em reuniões fora de agenda.