O ano de 2026 inicia com uma notícia relevante para a educação superior no estado de Sergipe, a sanção pelo Governador Fábio Mitidieri, no final de 2025, da Lei que cria a Universidade Estadual de Sergipe. Abordarei dessa forma, alguns dados da educação superior em Sergipe e em minha visão, o impacto de mais uma instituição de ensino superior pública para o futuro de Sergipe.
Do ponto de vista Regional, até então, Sergipe era o único estado da Região Nordeste que não possuía uma universidade estadual. Os dois estados que fazem fronteira com Sergipe, Bahia e Alagoas, possuem as seguintes estruturas em termos de universidades estaduais:
Bahia – tem quatro universidades públicas mantidas pelo estado baiano, sendo elas: Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Universidade Estadual de Feira de Santana (EUFS), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). As quatro fazem parte da administração estadual indireta vinculada à Secretária da Educação do Estado da Bahia. Vale registrar que existe a proposta de criação de uma quinta universidade estadual baiana, a Universidade Estadual do Raio de Contas (UNERC), a partir do Campus da UESB em Jequié.
Alagoas – tem duas universidades pública estaduais: Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) e a Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), ambas vinculadas à Secretaria Estadual de Educação de Alagoas.
Os dados acima corroboram com a busca da existência de uma universidade estadual de Sergipe, especificamente na lógica do planejamento das necessidades do estado, mesmo que o vínculo seja direto com a Secretária de Educação entendo que seria importante uma forte interação com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SEDETEC), em face das demandas existentes de qualificação por parte do setor empresarial que trabalha diretamente com referida Secretaria, bem como, todo o complexo de ciência e tecnologia da SEDETEC (ITPS, FAPITEC e SERGIPETEC). Entendo que esta posição está em linha pelo que foi divulgado pelo Governo de Sergipe, ao apontar que a instituição nascerá como uma universidade moderna, integra ao mercado de trabalho e alinhada às vocações econômicas do estado.
Conforme os dados mais recentes do Instituto SEMESP (Mapa Superior de Sergipe de 2025), Sergipe contava com 87.921 matrículas no Ensino Superior, ofertadas por 22 Instituições de Ensino Superior. Sendo que a rede privada do Estado de Sergipe concentra 97,1% das matrículas em cursos de Educação à Distância (EAD). Nos cursos presenciais, a concentração é de 53,2%. No geral, as instituições privadas concentram 71,8% das matrículas do ensino superior sergipano.
Outro dado curioso do Instituto SEMESP é que entre os anos 2022 e 2023, o número de matrículas em cursos presenciais teve queda de 4,5%, sendo 3,8% na rede privada. Na EAD, o aumento no período foi de 19,1%: 18,3% na rede privada.
Entre as 22 instituições de ensino superior de Sergipe, apenas duas são Universidades: a Universidade Federal de Sergipe (UFS) – Universidade Pública Federal e a Universidade Tiradentes (UNIT) – Universidade Privada, mas que possui sistema de oferta de financiamento para os estudantes via Programa Universidade para Todos (PROUNI) e o Financiamento Estudantil FIES, além de alguns alunos que no Programa Mais Médicos estudam gratuitamente. Vale destacar que são significativas as diferenças entre instituições de ensino superior com a estrutura de Universidade, com relação àquelas que são Faculdades ou Centro Universitário.
Registrei as duas universidades pelo pioneirismo delas no estado, mas também ressalto a importância das demais instituições de ensino superior existentes em Sergipe. Neste quesito, o papel de educador e contribuinte para evolução do ensino superior em Sergipe se deve a vários pioneiros que citarei dois para representar todos: João Cardoso do Nascimento Júnior – 1º Reitor da UFS e Jouberto Uchôa de Mendonça também o primeiro e atual Reitor da UNIT.
Com a previsão de início para o primeiro semestre de 2027, o ano de 2026 será um ano de construção com as definições administrativas e acadêmicas da nova universidade que Sergipe terá e que pelo que foi apresentado, não ensejará uma concorrência direta com as demais instituições de ensino superior pela definição da tipologia que cursos que serão ofertados. Além disso, tem um ponto importante, a definição de que 80% das vagas da Universidade Estadual de Sergipe serão destinadas para estudantes da rede pública de ensino.
Vale destacar a busca da ocupação dos espaços educacionais já existentes no estado e que terão o uso da capacidade instalada, bem como, a possibilidade da oferta de novas vagas profissionais para auxiliares administrativos e professores.
Segundo o Instituto Semesp, em 2023, 11,4 mil estudantes concluíram o ensino superior em Sergipe, dos quais 35,9% em cursos de Educação à Distância (EAD). Nos cursos presenciais, houve queda de 8,9% de concluintes, sendo 15,8% na rede privada. Na EAD, houve crescimento de 16,9%, com alta de 19,4% na rede privada. Dessa forma, entende-se que deveremos ter ao final desta década, mais alunos concluindo o ensino superior em Sergipe.
Um ponto de atenção que deve ser observado é a taxa de desistência dos cursos presenciais e Sergipe que em minha opinião é elevada, 54,9%, sendo que o desafio da rede privada é mais desafiador por ser de 57,7%. Dessa forma, por ter maioria expressiva de alunos oriundos da rede pública, a nova Universidade Sergipana terá que pensar em incentivos e estímulos que reduzam a referida taxa de desistência, pois é uma perda para o estado e para o país, ter profissionais que iniciaram e não concluíram a qualificação que poderia ajudar a sociedade em suas diversas demandas.
Que a educação sergipana possa fazer mais inclusão socioeconômica e gerar mais perspectivas com a Universidade Estadual de Sergipe.
Por Saumínio Nascimento