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OS GRANDES PREFEITOS DE ESTÂNCIA ( I ) - LEOPOLDO DE ARAÚJO SOUZA, UM LAGRTENSE QUE FEZ E ESTÁ NA HISTÓRIA ESTANCIANA

Publicada em 02/06/25 às 11:19h - 275 visualizações

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OS GRANDES PREFEITOS DE ESTÂNCIA ( I ) - LEOPOLDO DE ARAÚJO SOUZA, UM LAGRTENSE QUE FEZ E ESTÁ NA HISTÓRIA ESTANCIANA
 (Foto: TRIBUNA CULTURAL/Divulgação)

Por Carlos Modesto

Leopoldo de Araújo Souza não nasceu na Estância, mas prestou a cidade serviços
excepcionais que o credenciaram a ser tido como um estanciano adotivo, a merecer a estima da sociedade. Era filho da cidade de Lagarto, nasceu em 11 de fevereiro de 1885, filho de José Rodrigues de Souza e D. Maria de Araújo Souza.
Com o passar do tempo, à proporção que seus treze irmãos iam adquirindo maioridade, cada um ia seguindo o seu destino. 

Não dispondo de condições financeiras para custear seus estudos, pensou emigrar para o Acre. Mas antes de partir, foi convidado para trabalhar como caixeiro-viajante da importante casa comercial do Coronel Francisco José Martins, da cidade de Estância.  

Depois de uma breve entrevista com o empresário, inspirou a confiança do seu futuro patrão. Admitido, fez logo sua primeira viagem e, ao retornar, recebeu os mais sinceros elogios do gerente da firma pela habilidade e eficiência com que cumpriu as suas obrigações. Três anos depois, decidiu deixar o emprego para estabelecer-se por conta própria. Associou-se, então, a Manuel Ribeiro Marceneiro, numa loja de tecidos, observou que os lucros eram insuficientes para satisfazer os ideais dos dois, separou-se da sociedade em 1907 e montou um pequeno armazém de secos e molhados. Em 1908, abriu a Padaria Brasil que foi a primeira a efetuar o fabrico de massas finas. Esteve a frente desta panificação, sempre próspera, até 1916 quando a transferiu ao seu sobrinho, José de Araújo Liborio.


Partiu, então, para a instalação da Fábrica de Charutos Valkyria, a primeira do gênero fundada no Estado de Sergipe, mantendo-se como dirigente durante anos, até a gestão do seu filho Raymundo Silveira Souza. Foi proprietário do Cineteatro Ideal (depois Glória) e, durante certo tempo, foi arrendatário do Cinema São João.

Com sua capacidade criativa e muito trabalho, conseguiu viver com independência e dar conforto a família. Sempre esteve sintonizado com as necessidades alheias e os problemas ligados ao bem geral da cidade. Prestou numerosos serviços às instituições filantrópicas da Estância, dentre os quais destacamos: tesoureiro da Sociedade Velhice Desamparada, cabendo-lhe iniciar a construção do novo prédio do Asilo Santo Antônio, concluído depois, na administração do Dr. Jesse Fontes; eleito diversas vezes, secretário do antigo Clube Literário e Recreativo União Caxeiral; presidente do Cruzeiro Sport Clube; diretor da Empresa Auto viação Sergipana; diretor do Hospital Amparo de Maria; fiscal da Empresa Industrial Estanciana; provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento, oportunidade em que remodelou a fachada do cemitério N. Senhora da Piedade; sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.

Prestou, igualmente, serviços relevantes à Sociedade Beneficente Amparo de Maria. Mesmo sem seu pouco apreço as lutas politicas partidárias, esteve, constantemente, ao lado do seu amigo Dr. Rodrigues Doria, cujo nome sempre apoiava nas urnas, com um grupo de amigos. 

Chefiou na Estância, em 1922 a Reação Republicana, liderada, nacionalmente, pelo Dr. Nilo Peçanha. Por ocasião das Revoluções de São Paulo e Sergipe, deflagradas, respectivamente, pelo general Isidoro Dias Lopes e o então tenente Augusto Maynard, passou pelo desgosto de ser detido e submetido a rigoroso inquérito militar pelo general Marçal Nonato de Farias, violência desnecessária, pois a justiça nada encontrou de condenável na sua conduta de cidadão ilibado.

Apoiou o movimento da Aliança Liberal, da qual resultou na Revolução de 1930. Com o triunfo desta, foi nomeado, a 07 de novembro desse mesmo ano, intendente municipal da Estância, cargo que exerceu até 18 de fevereiro de 1932, quando dele se exonerou, sendo substituído, quatro dias depois pelo comerciante Raymundo Nóbrega de Mendonça.

BENFEITORIAS DADAS À CIDADE DURANTE SUA GESTÃO

Como intendente municipal de nossa cidade, durante o período de 1930-1932, Leopoldo Souza prestou serviços de valor. Remodelou o Parque Nilo Peçanha e continuou, em ritmo acelerado, o calcamento a paralelepípedo das ruas, a despeito da escassa verba municipal de então.

Em 1935, esteve novamente à frente da administração municipal, desta vez por tempo muito curto. A 29 de novembro de 1937, na interventoria do Dr. Eronildes de Carvalho, foi nomeado prefeito, mantendo-se nessa função até 21 de agosto de 1941. Nesse período administrativo, pavimentou com paralelepípedo diversas ruas da cidade; remodelou o quartel de policia; consertou a avenida Getúlio Vargas; criou o Mercado Municipal; instituiu a Praça da Bandeira; fundou a Casa da Criança e o parque infantil, sendo esta instituição o primeiro Posto de puericultura erigido no Brasil sob a orientação do Departamento Nacional da Criança; fez seis escolas municipais; instalou o Parque D. Pedro II e o monumento em memória de
Francisco Camerino, - inaugurado durante o centenário de nascimento do herói estanciano; deu início a construção da estrada de rodagem no trecho Estancia-Arauá e lançou a primeira pedra da maternidade da Estância, levantada na gestão do seu filho Raymundo Silveira Souza, que recebeu o nome de seu idealizador: Leopoldo de Araújo Souza. Casou-se na Estância, em 09 de maio de 1908, com D. Guiomar Silveira Souza, filha de José Cristóvão da Silveira e da senhora Josefa Lima da Silveira, deixando desse casamento três filhos: Raymundo Silveira Souza, casado com a senhora Doralice Fontes Souza; Walkyria de Souza Rocha, casada com o Sr. Darwin Pedrosa Rocha e Wanda Souza Ramos, casada com o Sr. Ariovaldo de Menezes Ramos.

Faleceu na cidade de Estância, em primeiro de outubro de 1942. Seu funeral, realizado na manhã de 02 de outubro, constituiu um acontecimento de piedosa demonstração da estima pública. Seus restos mortais foram depositados no cemitério Nossa Senhora da Piedade.

Carlos Modesto é cineasta, memorialista, escritor, autor do livro Sombras da Saudade, a história dos Cinemas da Cidade de Estância e do livro Carlos Modesto Recorda: Com Motta, a Bahia era uma festa.



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