Por Fernanda Spínola
Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (SINTESE) realizou, nesta sexta-feira, dia 19, no Calçadão da Rua João Pessoa, em Aracaju, a tradicional “Prova Final”. A mobilização, que marca o encerramento das atividades do sindicato em 2025, avaliou a política educacional desenvolvida pelos 74 prefeitos e prefeitas dos municípios onde a entidade representa a categoria, além da gestão do Governo do Estado.
De acordo com o levantamento apresentado, 69 municípios foram reprovados, com notas abaixo de 5,0. Apenas cinco administrações municipais alcançaram pontuação suficiente para aprovação. No âmbito estadual, a política educacional do Governo de Sergipe, sob gestão do governador Fábio Mitidieri (PSD), recebeu nota 1,67, inferior à obtida em 2024, quando a avaliação foi de 1,82. Este é o segundo ano consecutivo de reprovação da gestão estadual pelos professores e professoras da rede filiados ao sindicato. Entre os municípios com piores desempenhos, Canindé de São Francisco obteve a menor nota, 1,15, seguido por Pacatuba (1,25) e Nossa Senhora do Socorro (1,37). Também ficaram abaixo de 2,0 os municípios de Tomar do Geru (1,50), Aquidabã (1,52), Santana do São Francisco (1,62) e Tobias Barreto (1,64).
Já as cinco melhores avaliações foram registradas em Itabaiana (5,55), Muribeca (5,52), Estância (5,42), Pinhão (5,22) e Pedra Mole (5,0). O presidente do Sintese, professor Roberto Silva, explicou que a “Prova Final” tem como objetivo central construir um diagnóstico da educação pública em Sergipe. Segundo ele, a avaliação considera critérios objetivos previstos na legislação, como o cumprimento do piso salarial nacional do magistério, o respeito aos planos de carreira e aos direitos dos profissionais, as condições de funcionamento das escolas, a gestão democrática do ensino, o financiamento da educação, a transparência na aplicação dos recursos e a situação previdenciária dos trabalhadores da educação. “Não é uma nota de ordem emocional ou pessoal. É uma nota que leva em consideração o que os gestores estão fazendo ou não na educação do nosso estado, a partir do que determina a legislação”, reiterou o professor.
Roberto Silva também destacou que, a partir dos problemas identificados, o sindicato pretende encaminhar denúncias aos órgãos de controle, como o Ministério Público e os tribunais de contas, para que sejam adotadas medidas que garantam o cumprimento da legislação.
Expectativas para 2026
Sobre a nomeação da nova secretária estadual de Educação, Gilvânia Guimarães, o presidente do Sintese afirmou que há expectativa de diálogo, mas ressaltou que a função exige resolução de problemas concretos. “Esperamos que ela mantenha a postura de diálogo, mas não é só dialogar. É preciso resolver questões que não foram enfrentadas, como o descongelamento das gratificações e o crescimento do assédio moral nas escolas”, pontuou.
Ele lembrou que, enquanto esteve à frente da Diretoria de Ensino de Aracaju, Gilvânia manteve interlocução com o sindicato, o que gera expectativa de continuidade dessa postura no âmbito estadual. Segundo o presidente, o Sintese já tem uma assembleia marcada para o início do ano letivo de 2026.
Capital não integra a avaliação
Aracaju não participa da Prova Final, uma vez que os professores e professoras da rede municipal da capital não são representados pelo sindicato, mas sim pelo Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju (Sindipema). Por esse motivo, a gestão municipal de Aracaju não é avaliada na metodologia aplicada pela entidade.