[*] Fábio Henrique
Você acorda cedo e toma um café ralo, isso porque o preço do café aumentou. Sai de casa com uma pilha de currículos debaixo do braço, cansado de não obter resposta nem pelo meio digital. Caminha até o ponto no bairro e vê aquele canteiro gigante de obras. Investimento do estado, com placa milionária brilhando sob o sol.
Poderia se sentir orgulhoso por saber que um pedacinho do seu imposto está lá. O mesmo do pão e da conta que sempre atrasa. Você vai até o portão e pede uma oportunidade, mesmo que de servente ou auxiliar, e a resposta vem seca: "Não tem vaga. A empresa de fora já trouxe o pessoal".
Se essa não é a sua realidade, é a de milhares de pais e mães de família em Sergipe. Não é o estado inteiro, não é toda obra, mas é gente demais para se ignorar.
Isso é realidade em todo o país e eu sei que Sergipe tem números bonitos para mostrar. Sei que o desemprego caiu, que a construção civil abriu vagas, e fico feliz a cada conquista. Mas número bonito em painel de secretaria não bota comida na mesa de quem ficou esperando na fila do canteiro, porque quem foi contratado veio fretado de outro estado.
Grandes empreiteiras vencem as maiores licitações públicas com dinheiro nosso. E na hora de erguer a obra, trazem gente de fora pronta, treinada e barata para elas. Nada contra esses trabalhadores, também são pais e mães de família e merecem o pão. O problema não é quem vem. O problema é quem fica de fora vendo o dinheiro que ele mesmo ajudou a pagar virar recurso de outro estado.
Quem banca a obra pública local é o povo local. Nada mais justo que a prioridade seja de quem vive e sua a camisa em Sergipe.
Eu queria ir além. Queria bater o martelo e garantir de uma vez, por lei, que toda obra grande do governo tivesse maioria absoluta de sergipanos. Mas não vou prometer para você o que a Justiça derruba depois, só para parecer valente hoje e te decepcionar amanhã. Politicagem aqui não se cria.
Então vou até onde a lei permite. E vou até a última instância dela, pelo maior benefício do trabalhador.
Minha proposta para a Assembleia Legislativa de Sergipe é de preferência ao povo de Sergipe. Na prática: toda empresa que disputa obra grande do estado deve apresentar um plano de contratação de mão de obra sergipana. Quem cumpre mais, quem contrata mais gente cadastrada no nosso próprio sistema, sai na frente na mesma licitação. Em caso de empate técnico entre concorrentes, a lei já permite que o estado escolha quem gera emprego para dentro. Essa brecha existe. E eu vou usá-la até o fim.
Isso também é justiça social. É o verdadeiro amor pela terra que a gente pisa, porque quando o trabalhador sergipano recebe o seu salário, o dinheiro não sai voando para fora daqui. Compra a carne no açougue do bairro, o remédio na farmácia do vizinho, a roupa do filho na feira de domingo.
Muitos colocam o valor do deputado como o de só assinar papel e destinar emenda. Eu discordo, com todas as forças. O papel de quem representa este povo é comprar essa briga. É proteger o mercado de trabalho da nossa gente.
Minha trajetória como prefeito em Socorro e na Câmara Federal sempre teve uma bússola só nesse sentido: o trabalho é o maior programa social. E quem tem emprego tem dignidade, tem independência e não precisa estender a mão para pedir a ninguém.
Proteger o trabalhador sergipano é proteger o futuro do jovem que busca o primeiro emprego. E é proteger a dignidade de quem passou dos 50 anos e o mercado tenta jogar em um limbo, como se a experiência não valesse nada.
Essa é a luta que eu quero liderar na Alese e não vou descansar até que cada tijolo assentado em uma obra pública seja a certeza de comida na mesa e orgulho no peito de uma família sergipana.
[*] É jornalista, ex-prefeito de Nossa Senhora do Socorro, ex-deputado federal e pré-candidato a deputado estadual pelo MDB.